Agora eu tô te amando quietinha, sem mandar cartas, sem discar o seu número, sem passar em frente a sua casa. Afinal do que adianta gritar pra meio mundo ouvir o quanto nós temos que ficar juntos se você não é capaz de mover um dedo pra que isso seja possível?
Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio. Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.
Ana María, Goiânia, 6 de abril de 1996.
"Sou numa fração de segundos, tudo aquilo que existe no mundo."
Um brechó de sentimentos, vivendo abstrato, contínua, oculta.